Mensagem do Presidente

Com muita alegria, estamos completando dez anos de realização do HEPATOAIDS, em 2017. Nosso evento, desde sua primeira edição, sempre mostrou o vigor de profissionais muito interessados em aprender e discutir. Também, sempre contamos com excelentes professores em nosso programa científico. Nosso foco é a equipe multiprofissional, que atende em saúde pública. Conseguimos cumprir este objetivo com a fundamental ajuda dos Programas de HIV do Município e do Estado de São Paulo, dos Programas de Hepatites Virais do Município e do Estado de São Paulo, além do Programa Nacional de IST, Hepatites Virais e HIV.

Na primeira edição, em 2008, contamos com pouco mais de duzentos inscritos. Nas duas últimas, recebemos mais de mil inscrições. Há cerca de dez anos, para os pacientes vivendo com HIV, ainda tínhamos a TARV com múltipla pílulas e eventos adversos. Nossa cascata de cuidados com estes pacientes ainda precisava melhorar muito. Hoje, temos uma década de sucesso de várias políticas públicas de prevenção e tratamento nesta área e nossa cascata de cuidados com números cada vez melhores. A TARV pode ser prescrita em dose única diária, em poucas ou uma pílula e com excelente nível de segurança para os pacientes. Nossa preocupação, hoje, também diz respeito às comorbidades e ao envelhecimento destas pessoas. Em especial, a esteatohepatite não alcoólica emerge como hepatopatia que necessita de atenção e cuidados. A prevenção combinada vive um grande avanço, com PEP, PrEP, entre outras estratégias.

Na hepatite B, na primeira edição do evento, tínhamos apenas a possibilidade de uso de lamivudina ou interferon convencional. Atualmente, temos um PCDT, recém-publicado, que está em linha com a melhor terapêutica disponível para esta enfermidade, mundialmente. Evoluímos muito e já temos indicação universal para vacina contra hepatite B. Nosso desafio é melhorar a cobertura vacinal e a prevenção.

Vivemos uma revolução nos cuidados com o paciente com hepatite C. Altas taxas de cura, medicamentos com posologia mais simples e seguros. Nosso desafio é diagnosticar mais pacientes, avaliar o grau de avanço de sua doença e tratar, em maior número, os que tem prioridade. Nosso PCDT de hepatite C deve ser atualizado ainda em 2017, deixando também o nosso SUS em pé de igualdade com as melhores tecnologias disponíveis para cuidar destas pessoas.

Também será uma ótima oportunidade para revisar as melhores evidências apresentadas no CROI 2017, AASLD 2016 e EASL 2017. Além da ciência e das discussões, pretendemos fazer um evento interativo, com a discussão de vários casos clínicos. Solucionar as dúvidas práticas. Uma abordagem prática dos problemas do dia a dia.

Junta-se a tudo isto ótima convivências e reencontro com os bons amigos!

Esperamos a todos. Grande abraço.

 

Dr. Paulo Roberto Abrão Ferreira
Prof. Afiliado da Disciplina de Infectologia da UNIFESP
Responsável pelo ambulatório de HIV e Hepatites Virais
Médico do CRT DST Aids de São Paulo